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Veja o que pensam as classes C e D sobre o impeachment

“Classes C e D não se veem representadas nos dois lados do impeachment”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, baseado em pesquisa que avaliou a opinião de 2.005 pessoas de todo o Brasil, no final de março. Em entrevista à BBC Brasil, ele explica que o grupo não se sente representado nas manifestações pró e contra o governo, que ganharam as ruas no embate promovido pela abertura do processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff.

De acordo com Meirelles, as classes mais populares não encontram seus interesses defendidos na atual crise política, por considerarem uma disputa entre a elite da direita e a da esquerda.

O Data Popular é reconhecido pelos estudos em torno do mercado, do crescimento, do desenvolvimento e das opiniões das classes C, D e E brasileiras. Na avaliação de Meirelles, as últimas pesquisas apontam que os dois lados das manifestações possuem características semelhantes, que as distanciam das classes mais pobres.

“A renda e o grau de escolaridade dos manifestantes (dos dois lados) são razoavelmente maiores do que da maioria da população brasileira. Se de um lado há jovens de elite e empresários, industriais, do outro há funcionários públicos, professores, universitários, artistas, intelectuais e dirigentes sindicais, mas o fato é que o povo não está em nenhum dos dois”, disse.

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Na pesquisa, os entrevistados também opinaram sobre o tipo de Estado que preferem. Resultado: 38% defenderam um Estado próximo do mínimo, que não interfira de jeito nenhum na vida das pessoas, e 62% optaram por um Estado vigoroso, presente, por intermédio de programas sociais.

Outro dado buscou separar “oposicionistas” e “decepcionados” com o governo Dilma. Dos 38% que optaram pelo Estado mínimo, 36% estão insatisfeitos. Enquanto isso, dos 62% que preferem um Estado mais presente, 44% estão insatisfeitos com a gestão.

“Esses dados nos mostram que é preciso olhar com mais profundidade os dados de rejeição ao governo. Os 36% insatisfeitos que preferem um Estado mínimo são claramente os oposicionistas, os que nem votaram em Dilma e defendem claramente o impeachment. Já os 44% que estão insatisfeitos mas optam por um Estado presente são os decepcionados, aqueles que esperavam mais ações do governo voltadas aos mais pobres”, destacou Renato.

Atração confirmada

Renato Meirelles já é um dos nomes confirmados para o Pajuçara Management 2016, onde irá apresentar o cenário dos novos consumidores brasileiros na crise, no dia 8 de junho, às 15h. Ele é publicitário com MBA em Gestão de Negócios pela ESPM e sócio-diretor do Instituto Data Popular, por meio do qual conduziu mais de 200 estudos sobre o comportamento do consumidor de baixa renda no Brasil.

O evento ocorre nos dias 7 e 8 de junho, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, com o tema Superação e Legado para as próximas gerações. Outros grandes nomes do mercado brasileiro e do esporte também estão confirmados, como o empresário Carlos Wizard, o economista Stephen Kanitz e o comentarista político Demétrio Magnoli.

Os interessados podem realizar inscrições pelo site ou pelos telefones 3031-3563/ 999657-0555, com ofertas especiais até 29 de abril. Estudantes e microempreendedores individuais contam com 10% de desconto, assim como empresas com mais de 10 inscritos.