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E agora, Folha?

Considerado um dos maiores comentaristas políticos do Brasil e atração confirmada do Pajuçara Management 2016, Demétrio Magnoli  faz uma análise do cenário atual do país e do editorial “Nem Dilma nem Temer”, publicado em 03/04/16, na Folha de São Paulo. A crítica E agora, Folha? foi feita em sua coluna, no próprio jornal, no último sábado (9).

Segundo o comentarista, “Dilma saboreou um inesperado triunfo no editoral de primeira página da Folha”. A afirmação veio seguida de uma justificativa: “o maior jornal do país envia uma mensagem decepcionante: o destino de uma presidente ‘que perdeu as condições de governar’ deve depender, exclusivamente, da vontade dela mesma. ‘Eu jamais renunciarei’, retrucou a presidente, de bate-pronto. O tempo passou na janela, e só a Folha não viu”, disse.

Para ele, a posição do jornal é embasada pela ideia de que o impeachment deixaria um “rastro de ressentimento”, já que o PT ainda tem o respaldo de uma minoria expressiva. Em um trecho, ele frisa: “Tradução: a maioria da sociedade deve ceder à chantagem minoritária do “povo organizado”, aceitando um “novo normal” formado por violações jurídicas de baixo impacto político e crimes políticos ainda carentes de veredito jurídico. Mas, como é deselegante dizer isso, o editorial maquia suas manchas com o corretivo cremoso da inócua solicitação de renúncia ao mandato presidencial”.

Na coluna, Magnoli cita fatos que considera crimes de responsabilidade do governo, bem como as delações de Delcídio do Amaral e da Andrade Gutierrez. O comentarista expressa como o jornal apresentou a tentativa da administração pública de barrar o impedimento com apoio parlamentar e a proteção ao ex-presidente Lula.

Contudo, ele alerta para um novo detalhe: “mas, estranhamente, a Folha descarta no nono parágrafo os crimes políticos que aponta no quinto. Na sequência, opera um salto argumentativo arbitrário, oferecendo a saída da dupla renúncia da presidente e do vice”, salienta.

Magnoli dá sequência destacando que “Temer não está engajado em operações de obstrução da Justiça. Mas, segundo a lógica sofística do editorial, o vice ocupa lugar idêntico ao da presidente, pois ‘tampouco dispõe de apoio suficiente na sociedade’. Da imputação decorreria o imperativo da renúncia simultânea de ambos, abrindo caminho para novas eleições presidenciais”.

Na sua visão, a solução do editorial “produziria um governo calçado na legitimidade eleitoral, não uma transferência de comando para o sócio menor da coalizão que nos conduziu a uma tripla crise, econômica, política e ética. Contudo, o caminho até a antecipação de eleições presidenciais não passa pelo atalho utópico da dupla renúncia, pois Dilma ‘jamais’ renunciará. Igualmente, não passa pelo longo contorno do TSE e do STF, pois a cassação da chapa Dilma/Temer depende de julgamentos que só se concluiriam em 2017, gerando eleições indiretas”.

O texto, na íntegra, está disponível neste link.

Magnoli é sociólogo, especialista em Política Internacional e doutor em Geografia. Atua como comentarista da Globo News, da Folha de São Paulo, do O Globo e outros veículos de importantes circulação no país.